Por: Felipe Rosa

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A primeira vez que estive em São Paulo não existia nada alternativo ao serviço de táxi. Era 2012, estava indo – junto ao Frederico Cosentino e ao Domingos Branda – para a 3° Conferência de Escola Austríaca e o único jeito era usar os carrinhos com placa vermelha.

Olhei trajetos no Google, simulei valores por sites e me preparei para a empreitada.

Na primeira viagem, um trajeto que deveria dar entorno de 30,00 R$ já passava de 80,00 R$ em meio ao rush das 18h e aos avisos de “recalculando a rota” do GPS do taxista perdido.

No fim das contas, o taxista admitiu o erro, disse que trabalhava apenas há 3 meses no ramo e, como benevolente que era, fez o trajeto por 50,00 Reais (hehe).

A segunda experiência fez eu e minha namorada esperarmos, em uma terça-feira chuvosa, às 22h, numa esquina que não conhecíamos, algum mísero táxi que nos levasse para algum bar para conhecermos um pouco da noite de SP.

A aventura, em resumo, era perigosa, demorada, ineficiente e, ainda por cima, o olho da cara.

Hoje, você pede um carro do seu celular, acompanha a vinda deste pelo aplicativo e desce apenas quando o carro estiver chegando. Evita, assim, o risco que um país que mata 60 mil pessoas por ano oferece.

Além disso, paga (antes) um preço fixo, não precisa controlar o preço (que insiste em subir naquele taxímetro que cheira ao atraso) e, tampouco, precisa se preocupar se o taxista está te levando por um caminho mais longo para se aproveitar do teu desconhecimento de turista do interior perdido na capital (adeus Google Maps!).

Tudo isso por em torno de 50% do preço do táxi.

Quando Kirzner e Lachmann começaram a debater sobre as tendências equilibradoras e desequilibradoras nos processos de mercado, eu suponho, não imaginavam que teriam um exemplo tão bom para explicarem suas teses.

O táxi é desequilíbrio puro. É o uso do tempo, de recursos humanos, materiais e de dinheiro para fazer algo ineficiente e que não sobrevive ao mínimo escrutínio do consumidor. Tudo ali está sendo mal alocado.

Os apps de transporte são processos equilibradores em essência. O tempo, o carro utilizado, a tecnologia desenvolvida no app, o motorista ali empregado, os recursos utilizados, enfim, tudo, absolutamente tudo, está sendo utilizado mais eficientemente para atender ao consumidor pelo menor custo possível.

Os processos desequilibradores (táxis) são oriundos da regulação do Estado em nossas vidas. Os processos equilibradores (Uber, Cabify, 99, etc.) advêm do processo de mercado, da competição, do ímpeto empreendedor em melhor atender aos nossos desejos como consumidores, ou seja, surge do mais puro capitalismo.

E não é que hoje acordo e descubro que nossos iluminados congressistas querem regulamentar (através de um PL corporativista) os apps de transporte para que estes rumem para um arranjo próximo do táxi.

É óbvio que o táxi sobrevive apenas assim. Do lobby e da regulação. O serviço está atrasado. Não contempla o dinamismo que a tecnologia de hoje impõe aos serviços fornecidos ao consumidor e, tampouco, enseja a competição. Logo, premia a ineficiência.

O projeto de lei que tramita rapidamente no Senado é um belo exemplo prático do quanto o atraso está na vanguarda por aqui. Os políticos desejam nos levar para o desperdício de tempo, recursos e dinheiro.

Nada distinto do modus operandi deles em Brasília. Para aqueles que sobrevivem do nosso dinheiro e que não estão submetidos ao trade-off de viver como nós, ir de táxi ou de Uber, não faz diferença mesmo.

Não é eles que pagam (somos nós!). Não é eles que se prejudicam (somos nós!). O que irrita é que são esses que decidem como vou e o quanto pago para exercer o meu tal direito de ir e vir.

Depois tem gente que se surpreende porque esse país segue no atoleiro do subdesenvolvimento. Que arranjo horrendo esse que montaram em nosso “contrato social”.

Nojo define. 🙁